Escolhendo produtos de skincare: dicas básicas

Escolhendo produtos de skincare: dicas básicas

No universo fascinante do conteúdo digital, vivemos uma epidemia de reviews de skincare maliciosos, bancados por campanhas de marketing, que carregam pouco material verdadeiramente informativo para o público alvo.

Quando as postagem não são patrocinadas, muitas vezes são feitas por pessoas que não tem entendimento suficiente sobre ação do produto para fazer uma avaliação relevante.

Decidi escrever esse guia porque – sendo bem sincera – me irrita ficar lendo blogs avaliando produtos de pele com base em critérios superficiais, que pouco ajudam a empoderar o consumidor sobre sua escolha num mercado tão definido pelo marketing mentiroso.

Eu exerço™ skincare como hobby desde 2019. Todos os produtos que comprei foram do meu bolso, nunca fui patrocinada por nenhuma marca ou recebi produtos gratuitos além de amostras grátis. Ao longo desses anos, descobri que os maiores aliados do consumidor de skincare são o senso crítico afiado e uma noção básica sobre formulações e ingredientes, além de uma ojeriza profunda a influenciadores do ramo.

Diferente da maquiagem, o skincare depende de muita tecnologia para ser produzido, por isso as fórmulas geralmente são mais caras e a oferta de produtos mais escassa. Enquanto é possível encontrar uma sombra que é uma pepita de ouro de uma marca desconhecida por R$10,00, o mesmo não vale para o skincare, desconfie do que parece ser bom demais para ser verdade.

Mas antes de falar sobre o que configura um bom review, vou apresentar algumas dicas para auxiliar quem precisa escolher um produto de pele.

Algumas regras gerais para escolher produtos de skincare:

  1. Desconfie de influencers

Essas pessoas geralmente estão seguindo um roteiro e sendo pagas para avaliar um produto positivamente. Muitos influencers tem a pele muito bonita por fazerem tratamentos estéticos profissionais e não por terem uma rotina de skincare consistente.

Conhecer o efeito de um produto na pele leva muito tempo, e por isso o ritmo da produção de conteúdo não bate com o tempo que precisamos ficar testando cada coisa.

Além disso, essas pessoas se mostram testando vários produtos diferentes toda semana, isso torna impossível saber o efeito exato de cada fórmula e a troca de produtos constante impede que alguns tratamentos mostrem seu melhor (ou pior).

  1. Evite marcas desconhecidas/de instagram/de influencers

Marcas de instagram – ou seja, essas que só existem no digital e não são encontrados em nenhuma loja ou farmácia – geralmente são um terreno fértil para golpes. Não é possível verificar se os reviews são verdadeiros, não existem pessoas que usaram esses produtos longo prazo e mostram os resultados, ou seja, essas lojas são uma grande caixa preta.

Marcas de influencer geralmente são fórmulas prontas que alguém escolhe e coloca sua identidade visual em cima. Ou seja, não é nada luxuoso, vem de um fast food de skincare. Algumas marcas realmente possuem formulação própria, mas isso não significa que sejam boas fórmulas nem que os ingredientes sejam de boa qualidade.

  1. Não pague de menos e nem demais

Produtos super baratinhos geralmente não entregam o que prometem, são formulações pobres que contam com truques sensoriais (como perfume) e promovem resultado temporário – sensação de pele mais radiante ou mais hidratada assim que você passa, mas que não configura um tratamento –. Com skincare, dificilmente tem rataria.

Porém, o oposto também é verdade. O mais caro nem sempre vai ser necessariamente o melhor. Muitas marcas contam com prestígio do nome para colocar valores absurdos nos produtos – não é incomum encontrar sérums de 50ml por R$300,00.

É importante entender que apesar desse nicho ser mais careiro, não é para se endividar por um creme de olhos. Compre o que cabe no seu bolso e não pague por um produto que faz você se sentir otário. No skincare não existe mágica, cremes tópicos tem um limite de ação, não caia pelos claims sedutores: não existe creme de rosto que vale R$400,00.

  1. Busque ingredientes e não "claims"

Muitas vezes quando estamos escolhendo um produto, buscamos "claims" (ou seja, chamadas) que sejam coerentes com nossas queixas: reduzir manchas, melhorar firmeza e reduzir linhas finas são chamadas comuns.

Porém, muitas vezes, quando lemos a lista de ingredientes é possível entender que aquela fórmula não entrega de maneira adequada a solução que buscamos. Para isso, eu recomendo que pessoas que tem vontade de comprar produtos procurem informações sobre formulações:

  • Como entender a concentração dos ingredientes (sempre são listados do mais concentrados para o menos)
  • Como identificar os ingredientes ativos na fórmula?
  • Quais ingredientes são potencialmente sensibilizantes?
  • Em qual concentração deve estar o ativo que eu preciso para melhor aproveitamento?
  • Quais tipos de álcool são bons e quais não são? (parem de demonizar o álcool!)

Por exemplo, uma pessoa que quer reduzir manchas pode buscar essa solução através de ácidos, niacinamida, e até mesmo investir em uma rotina de recuperação e hidratação. Todos esses caminhos exigem processos diferentes, porém conhecendo os ingredientes você está munido da informação que vai te permitir fazer uma escolha mais consciente.

  1. Tenha expectativas realistas do que um creme pode fazer

É verdade que fazer skincare é como ir na academia: tem que fazer com consistência e quando você para, os ganhos são perdidos.

Porém é importante ter em mente qual será o real ganho com o uso de cada produto. O marketing faz promessas muito grandiosas e os cremes (principalmente ácidos) são oferecidos como milagres.

Ácidos, por exemplo, são tratamentos eficazes, mas sensibilizantes e podem causar problemas se o tratamento não for acompanhado de hidratação intensa e proteção solar.

Um caso relevante é o da marca Creamy, que durante anos empurrou agressivamente o uso de ácidos – como glicólico e mandélico – sem nenhum tipo de orientação sobre os cuidados com esses produtos. Anos depois, a Creamy lançou cremes de recuperação e efeito calmante, no que pareceu uma ótima oportunidade de pescar as pessoas que ficaram com a pele sensibilizada por mal uso dos ácidos.

Por isso, faça uma pesquisa sobre pessoas que usaram e leia os estudos clínicos com atenção para que você tenha uma visão realista do que você pode esperar.

Vale lembrar que a existência de estudos clínicos por si só não garante que o estudo não foi enviezado ou que foi conduzido de maneira competente, por isso leia com atenção e compare os claims aos resultados relatados.